Conheça a tribo da Indonésia que mantém os mortos em casa

Conheça a tribo da Indonésia que mantém os mortos em casa, você vai se surpreende com esse documentário feito pela repórter Amanda Bennett embarcou em uma jornada interior para descobrir algumas tradições mundiais sobre a maneira de encarar a morte em diferentes culturas. Para a National Geographic de abril deste ano, Amanda traz a visão torajana para o falecimento.

Debora Maupa morreu em 2009, aos 73 anos, mas seu corpo mumificado permanece na vila
Os torajanas moram em regiões isoladas da ilha Sulawesi, na Indonésia. Por lá, a morte, como conhecemos no Ocidente, é apenas um ritual de transição: por isso, nunca o corpo da pessoa é enterrado logo após o seu falecimento. Os rituais costumam levar dias, semanas e até anos para acontecer.

Enquanto isso, o corpo dos entes que partiram continuam fazendo parte da família, recebendo visitas e até dando conselhos. É o caso da mãe de Yohana Palangda, que era vista como uma espécie de guru em sua aldeia e, mesmo passado mais de um ano de sua morte, continua tendo um lugar especial na casa de sua filha.

Comida aos mortos


Nesse estado, o defunto é chamado de “makala”, que significa “pessoa doente”. Seu corpo é tratado com formalina, uma mistura de formaldeído e água que faz com que sua carne não apodreça. Com o tempo, isso acaba se transformando em um processo de mumificação. Porém, o cheiro do cadáver permanece, mas ele é atenuado com incensos de sândalo.

Os velórios costumam ser grandes celebrações – iguais a um casamento ou a um batizado, por exemplo. Eles demoram a acontecer porque na tradição torajana toda a família precisa estar reunida para se despedir do ente querido. Uma espécie de “pré-funeral” acontece logo após a morte da pessoa, que depois retorna para casa à espera do velório especial.

De volta ao lar, muitas pessoas até servem refeições aos falecidos. A jornalista Amanda relato o caso de uma família que havia perdido a mãe há duas semanas e mesmo assim servia 4 refeições por dia para ela: café da manhã, almoço, chá da tarde e janta.

Grandes celebrações funerárias


Os grandes velórios são capazes de parar uma aldeia. Nem mesmo ambulâncias com pessoas doentes consegue passar a multidão. A jornalista definiu isso com: “Aqui, a morte supera a vida”. No ritual funerário, uma grande quantidade de búfalos é morta para oferecer aos convidados e para guiar o falecido “do lado de lá”.

Engana-se, entretanto, quem pensa que os torajanos cultuam a morte: muito pelo contrário, eles procuram tratamentos ocidentais para que a pessoa enferma não acabe falecendo. E quando isso enfim acontece, a tristeza toma conta da família assim como no Ocidente. O que muda, porém, é a maneira com que se encara esse período depois da morte.

Tudo isso começou com a chegada dos missionários holandeses na região, que transformaram essa parte do país, que é tradicionalmente muçulmano, em um reduto cristão. Os funerais seguem os ritos de leituras de textos específicos da Bíblia. Ainda não se sabe quando foi iniciada a cultura de demorar para fazer os enterros. No começo do século 20, quando a escrita chegou à região, pessoas já documentavam esse tipo de comportamento.

Fonte: megacurioso


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